Primeiramente, Inteligência Artificial

19 de setembro de 2018 | 1 ano atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Por Manuela Rahal

A palavra tendência não cabe mais quando falamos de IA, e se falarmos de futuro nos referimos a um curto espaço de tempo: 3 anos e não mais 30, como as previsões que eram feitas em tempos de George Orwell.

Estamos falando de números reais, que mudam a cada dia, de funções humanas que já não precisam ser orquestradas por nós, meros mortais. Do “Mobile First” caminhamos para o “AI First”, com uma velocidade sem precedentes. Se isso é bom ou ruim, ainda não sabemos, mas como disse uma amiga cientista: “essas novidades dão um baita friozinho na barriga”.

Tudo já está acontecendo demais, e isso não se limita à Siri, ao Google Assistant ou à Alexa. Fato é que a Inteligência Artificial já permeia quase todos os segmentos da sociedade, suas aplicações vão da moda à saúde, passando por relacionamentos humanos e arte.

Que tal terceirizar o trabalho de uma agência para seus consumidores, por exemplo? Foi o que a marca New Balance fez na última semana de moda de NY, ao localizar e recompensar – com pares de tênis -, pessoas que identificassem tendências de moda nas ruas da cidade. De acordo com o diretor de marketing global da marca de sneakers, “A ideia é celebrar as pessoas que vão para esquerda, enquanto os demais vão sempre para a direita”. Ou seja, tendências reais e ousadas que se destacam entre os looks daqueles que frequentam um dos maiores evento de moda do mundo, através de uma programação de IA que filtrava a partir de informações relevantes para a marca.

A marca de luxo Balenciaga também declarou que alimentaram tão bem seu sistema de IA, que as máquinas se tornaram melhores designers do que os humanos especialistas no desenvolvimento de coleções. 

Da moda, vamos para um universo que não se prende a tendências – ou pelo menos, finge que não. Pela primeira vez, em 252 anos, a Christie’s, gigante do mercado de leilões, se propôs a fazer uma rodada apenas com obras criadas por IA. “De um lado está o Gerador, do outro o Discriminador. Nós alimentamos o sistema com um conjunto de dados de 15.000 retratos pintados entre o século XIV e o século XX. O Gerador cria uma nova imagem com base no conjunto e, em seguida, o Discriminador tenta identificar a diferença entre uma imagem criada pelo homem e outra criada pelo Gerador”.

Quando falamos de saúde, temos os exemplos variados e um tanto quanto animadores. O Watson, sistema desenvolvido pela IBM, que dentre muitos usos, permite que médicos realizem cirurgias super complexas com o auxílio de uma rede de outros médicos ao redor do mundo, o que o ajuda a tomar a melhor decisão, com base em casos similares, em tempo real.

Imagine então uma máquina 3D capaz de identificar e diagnosticar mais de 50 doenças a partir de um simples scan da retina do paciente? Ela já existe e se baseia em algoritmos, que filtram dados de digitalizações em 3D feitas em olhos de diversos pacientes.

Parece tudo muito positivo, certo? Fato é que, em poucos anos, os aplicativos e outros serviços impulsionados pela inteligência artificial se infiltraram em nossas vidas privadas, tomando decisões por nós, tanto pequenos quanto grandes, e ainda não sabemos a continuação dessa história.

Eu poderia seguir com milhões de exemplos, mas a ideia aqui era fazer uma breve provocação e dizer que sim, meu nome é Manuela Rahal, e eu mesma escrevi esse texto e não um bot devidamente alimentado de informações.

Manuela é jornalista e relações públicas. Hoje é sócia da empresa Rahall, responsável por criar plataformas de influência, experiência e conteúdo para grandes marcas.