Inteligência Artificial: as consequências que ninguém nos contou

16 de outubro de 2018 | 2 meses atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Como falamos aqui, dentro de alguns anos provavelmente alcançaremos a singularidade, momento em que a inteligência artificial (IA) irá ultrapassar a capacidade humana. No entanto, para Stephen Hawking, “o completo desenvolvimento da inteligência artificial poderia significar o fim da raça humana”. Exagerada ou não, a afirmação do físico falecido em março de 2018 gera dúvidas em relação aos limites de uso da IA e quais podem ser as consequências.

Recentemente, o MIT criou o robô Norman, para atuar em um dos maiores fóruns da internet, o Reddit. Sua função é ler imagens e escrever legendas a partir do ponto de vista de uma pessoa psicopata. O nome do robô é uma homenagem a Norman Bates, personagem principal de Psicose (1960), e o objetivo de sua criação, segundo o MIT, é explorar as maneiras que os dados podem ser utilizados no machine learning.

Apesar de ser inofensivo para a humanidade, o alto nível de desenvolvimento e aprendizado dessas máquinas tende a nos assustar, já que não sabemos exatamente o que esperar pela frente.

Outro ponto sempre colocado em questão é o desenvolvimento de armas autônomas ofensivas. A tecnologia utiliza IA para localizar e destruir alvos, sem a intermediação humana.

No entanto, os Drone Papers, documentos vazados em 2015,  indicam de 80% das pessoas atingidas nos ataques acima citados não eram o alvo inicial, e que as armas autônomas não foram capazes de distingui-las.

Pensando nessas questões, diversas empresas começam a discutir o que pode ser feito para potencializar os benefícios da inteligência artificial e evitar os riscos, paralelamente.

O campo de aplicação da IA é vasto e seu uso pode trazer inúmeras consequências positivas; no entanto, é preciso investir em pesquisa e na promoção de debates sobre o tema.

“Quest for intelligence”, do MIT, pretende estreitar a relação entre o homem e a máquina

Criado em fevereiro de 2018, o projeto do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) quer ajudar a entender os fundamentos da inteligência humana e impulsionar o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que podem influenciar positivamente todos os aspectos da sociedade.

São 140 pesquisadores do Centro para Cérebros, Mentes e Máquinas do instituto tentando descobrir como o cérebro produz um comportamento inteligente para, então, buscar formas de replicar isso nas máquinas.

De acordo com o MIT, a ideia é entender a natureza da inteligência e aproveitá-la para criar um mundo melhor.

Apesar da existência de um lado obscuro e cheio de dúvidas, a inteligência artificial, no geral, tem trazido consequências muito positivas para a sociedade.

Anteriormente, Manuela Rahal, colunista da 3MW, falou aqui sobre uma máquina 3D capaz de identificar e diagnosticar diversas doenças a partir de um scan da retina do paciente.

Na Índia, há hospitais que já estão testando um software capaz de verificar imagens da retina de uma pessoa em busca de sinais de retinopatia diabética, uma condição normalmente diagnosticada tarde demais para evitar a perda da visão.

Buscando tratar doenças do sono, também já é possível identificar, por meio de um sistema de monitoramento com inteligência artificial, as ondas que o cérebro de uma pessoa emite enquanto está dormindo, para saber, inclusive, se ela está sonhando ou não, de acordo com as atividades cerebrais.

As possibilidades são inúmeras, mas ainda há muitas funções que a inteligência artificial não consegue exercer, como entender as nuances da linguagem e bom senso, de modo que é necessário investir constantemente nas pesquisas e discussões sobre o assunto.