Influenciadores virtuais: robôs com mais de 1 milhão de seguidores

1 de outubro de 2018 | 2 meses atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Há algum tempo os influenciadores digitais vêm tomando conta das redes sociais. Eles começaram a aparecer com maior frequência após a criação do Instagram, em outubro de 2010, e são as caras de diversas marcas. Com o avanço das tecnologias e do mercado, surgem os influenciadores virtuais: robôs criados por empresas especializadas em Inteligência Artificial (AI).

No início do ano, a Prada contratou uma influenciadora para realizar, entre outros jobs, um take over durante o desfile de Inverno 2018 da marca, em Milão. Entre muitas opções, a escolhida foi Miquela, uma garota de 19 anos com mais de 1 milhão de seguidores que fez um tour do lugar com um drone controlado pelo celular.

Parece o trabalho de um influenciador digital, não é mesmo? Não fosse o fato de Miquela não ser uma pessoa. Ela é virtual. Uma criação tecnológica capaz de confundir quem olha seu Instagram, mesmo sabendo que ela é um robô.

Apesar de não ser humana, ela compartilha problemas, frustrações, além de publiposts – como uma boa influencer – e parcerias.  Ela inclusive foi nomeada pela Vogue como a It Girl do verão e até lançou músicas no Spotify. Seus criadores são da start up Brud, especialista em robótica e AI baseada em Los Angeles.

Ao acessar os highlights no perfil de Miquela é possível ler um pouco sobre sua história e criação, acompanhar um diário escrito por ela e suas campanhas.

Além dela, surgem outros influenciadores e modelos virtuais, como Blawko e Bermuda, também da Brud, e  Shudu, uma criação do fotógrafo britânico Cameron-James Wilson, que utilizou softwares de AI originalmente usados em games. Atualmente, existe até agência para modelos  virtuais, como a The Digiitals.

Apesar da novidade ser empolgante, alguns pontos começaram a ser levantados.

No mundo dos influenciadores virtuais, nem tudo são flores

Cameron-James Wilson foi massacrado nas redes sociais quando a notícia de que Shudu era virtual veio à tona. Entre muitos argumentos, está o fato de que ela é uma modelo virtual “contratada” no lugar de uma mulher negra de verdade.

Além das discussões e polêmicas, surge outra questão: será que os virtual influencers fazem sucesso não só devido à tecnologia, mas também por conta da superficialidade das redes sociais?

São fotos atrás de fotos postadas depois de inúmeras tentativas e erros, cheias de filtros e retoques. Muitas vezes uma encenação representando uma fantasia, e não a vida real.

Trazendo conteúdo cada vez mais artificial, que mascara a realidade das pessoas em diversas situações, não estariam todos os influenciadores – humanos ou não – no mesmo barco?

Segundo Justin Rezvani, da The Amplify, agência que conecta marcas a influenciadores, “nós teremos AIs que são influenciadores com uma tonelada de seguidores que também não são pessoas reais”.

Com o avanço da Inteligência Artificial e caminho que as redes sociais estão percorrendo, a tendência é os influenciadores virtuais se tornarem cada vez mais comuns, chegando ao ponto em que perceber o que é real ou fake será muito difícil. E você, está preparado para as possibilidades que serão geradas pela Inteligência Artificial? Leia mais sobre o assunto aqui!