Você está pronto para se adaptar?

13 de Março de 2019 | 2 meses atrás | Tempo de leitura: 9 minutos

À medida em que o mundo evoluiu, sempre adaptamos nossas habilidades e carreiras. Estamos agora enfrentando tempos em que essa adaptação precisará ser constante. Você está pronto para o desafio?

por Lucas Netto

“Os robôs estão chegando e irão roubar nossos empregos!” Acabaremos nos acostumando e cansados ​​desse tipo de manchete. As especulações sobre o que acontecerá com o mercado de trabalho nos próximos anos parecem ser o tema da moda, e é certo que circularão em nosso meio por algum tempo.

A realidade é que ninguém sabe como será o mercado de trabalho dentro de 20 anos. Há muitos artigos e pesquisas por aí que desenham a chegada da idade das trevas para nós seres humanos, e outra parcela significativa que tenta ser um pouco mais otimista. A verdade é que ninguém sabe. Tudo o que sabemos é que vamos nos deparar com mudanças importantes e precisaremos nos adaptar.

O ponto em que a maioria dos pesquisadores e historiadores concorda é que adaptabilidade e flexibilidade ganharão ainda mais importância no futuro, tornando-se habilidades essenciais para qualquer um. Enquanto a geração de nossos pais costumava ter o mesmo emprego durante toda a vida, a nossa se acostumou a mudar de empresa com frequência e não raramente se reinventar, virando carreiras de cabeça para baixo pelo menos uma vez. Podemos agora estar diante de uma nova era em que a maioria (senão todos) de nós precisará se reinventar não uma, mas várias vezes, durante a vida profissional. Esse será o novo normal. A frequência e a velocidade às quais precisaremos nos adaptar estarão diretamente ligadas a forma com que as tecnologias irão evoluir e afetarão o mercado.

Isso definitivamente representará uma série de desafios. Primeiro, porque não somos educados para essa realidade. Passamos pela 1ª revolução industrial (com o advento da energia a vapor), a 2ª revolução industrial (produção em massa e eletricidade), a 3ª revolução industrial (com computadores e automação) e agora vivemos a 4ª revolução industrial (com sistemas físicos cibernéticos, robótica, IA, etc.), mas a educação não mudou muito. Continuamos a educar as pessoas da mesma forma que fizemos na primeira revolução. No entanto, a questão de um milhão de dólares permanece: como ensinar as pessoas para um amanhã que não sabemos como será?

Em segundo lugar, estudar e adquirir novas habilidades não são mais processos com uma data de encerramento. Bem, muitos vão argumentar (e eu concordo) que nunca deveria ter sido, mas olhe ao nosso redor. Quantos de nós preservamos, no decorrer de nossas carreiras, o apetite pelo aprendizado contínuo? Quem ainda guarda a disposição de voltar para a escola uma vez que você já está bem estabelecido em uma posição sênior e sem ter muito mais o que provar? Sim, aqui estou me referindo ao processo intensivo de aprendizado e não simplesmente ao treinamento casual ou à nossa leitura de lazer. Este apetite é restrito a poucos, mas o que acontece quando se torna a norma? O que fazer com as grandes massas que podem não estar à altura do desafio?

Terceiro: estamos vivendo mais e precisaremos trabalhar mais. Se hoje uma pessoa trabalha por 40 anos na vida, amanhã podemos estar olhando para 60 anos ou mais. No entanto, não é aí que está o desafio. Imagine o cirurgião cardíaco de 50 anos de idade ter que se reinventar para se tornar um cientista de dados porque sua atividade passou por uma disrupção e deixou de existir. Imagine isso acontecendo não uma vez, mas a cada 10, 15 anos na vida de uma pessoa. Não é tarefa fácil. Sem mencionar que quanto mais velhos ficamos, menos flexíveis nos tornamos. É a natureza humana.

Esses desafios soam um pouco negativos e talvez sejam influenciados pelo que mencionei no começo. Vamos tentar um ângulo diferente. Podemos também prever um mundo em que faremos muito mais com menos (a um ponto que nunca imaginamos). Um mundo onde a automação conduzirá a níveis de eficiência tão altos e a custos tão baixos, que tudo será acessível a todos. O conceito de renda universal será uma obrigação para os modelos econômicos funcionarem, a pobreza desaparecerá e a desigualdade diminuirá. Além disso, como as máquinas farão todo o trabalho, a maior parte do nosso tempo será usada para aproveitar a vida, a família e os amigos. Soa um pouco utópico, mas como ninguém sabe realmente o que o futuro nos reserva, por que não pintar um cenário mais bonito?

De qualquer forma, minha ideia aqui não é fornecer respostas, mas sim fomentar a reflexão. E você? O que você fará após a disrupção de sua profissão? Você está pronto para se adaptar?

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Are you ready to adapt?

As the world evolved, we have always adapted our skills and careers. We are now facing times where that adaptation will need to be constant. Are you up to the challenge?

by Lucas Netto 

“Robots are coming and will take our jobs”. We will eventually be used and tired of those news headlines. Speculations around what will happen to the job market in the coming years seem to be the hot topic for the moment and it is certain to stay for a while.

The reality is that nobody knows how the job market will look 20 years from now. You have plenty of articles and researches out there drawing the arrival of dark ages for us humans and another significant share that tries to be slightly more optimistic. The truth is nobody knows. All we know is that we will come across significant changes and we will need to adapt.

Where most researchers and historians will agree is that adaptability and flexibility will gain even more importance in the future, becoming essential skills for anyone. While the generation of our parents used to have the same job during a lifetime, ours became used to changing companies frequently and not very seldom reinventing ourselves, turning our careers upside down at least once. We may now be looking at a new time where most (if not all) of us will need to reengineer ourselves not once but several times during our working life. That will be the new normal.  The frequency and speed to which we will need to adapt will be directly linked to how technologies will evolve and affect the marketplace.

This will definitely pose a series of challenges. First, because we are not educated to this reality. We went through the 1st industrial revolution (with the advent of steam power), the 2nd industrial revolution (mass production and electricity), the 3rd industrial revolution (with computers and automation) and now we live the 4th industrial revolution (with cyber physical systems, robotics, A.I., etc) but education didn’t change much. We continue to teach people the same way we did back in the first revolution. However, the million-dollar question remains: how to teach people for a tomorrow that we do not know how it looks?

Second, studying and acquiring new skills are no longer processes with an end date. Well, many will argue (and I agree) that it should have never been but look around us. How many of us preserve during the course of our career the appetite for continuous learning? Once you are well established in a senior position and you have not much else to prove, who is still eager to go back to school? Yes, here I am referring to the intensive process of learning and not simply the casual training or our hobby reading. This appetite is restricted to a few but what happens when it becomes the norm? What to do with the big masses who may not be up to the challenge?

Third, we are living more and we will need to work more. If today the average person works 40 years in a lifetime, tomorrow we may be looking at 60 years or more. However, this is not where the challenge lies. Imagine the 50-year-old heart surgeon of tomorrow having to reengineer himself to become a data scientist because his activity was disrupted and vanished. Imagine that happening not once but every 10, 15 years in a person’s life. Not an easy task. Not to mention that the older we grow, the less flexible we become. It’s human nature.

These challenges do sound a bit negative and are perhaps influenced by what I mentioned in the beginning. Let us try a different angle. We can also foresee a world where we will do a lot more with less (but to an extent never thought). A world where automation will drive efficiency so high and costs so low that everything will be affordable to all. Universal income will be a must for economic models to work, poverty will disappear and inequality will drop. Since machines will do all the work, most of our time will be used to enjoy life, family and friends. Sounds a bit utopian but since nobody really knows what the future holds for us, why not paint a prettier scenario.

Anyhow, my idea here is not provide answers but some food for thought. What about you? What will you do once your job is disrupted? Are you ready to adapt?

 Lucas trabalha há mais de 15 anos na área de Suprimentos, Logística e Comércio Exterior. Hoje, em Bruxelas, está à frente da área de Supply Chain do Grupo Magotteaux,  líder mundial em soluções para indústrias extrativas.