TRUEGEN, a geração da verdade

31 de outubro de 2018 | 3 semanas atrás | Tempo de leitura: 3 minutos

Por Manuela Rahal

Depois de estudar, conviver e apreciar, só tenho uma coisa a dizer sobre a Geração Z: eles são tudo aquilo que gostaríamos de ser quando crescer, sendo que ainda nem cresceram tanto. Para entender quem são os integrantes desse maravilhoso recorte, vamos a uma breve legenda:

> Baby Boomers, nascidos entre 1940 e 1959, cresceram num mundo bipartido, mas esperançoso com o pós-guerra. Foi a primeira geração a reivindicar o direito de ser jovem. Viveram o Flower Power, a Tropicália e movimentos de liberdade sexual e contracultura. No Brasil, enfrentaram a repressão da ditadura e muitos perderam a vida em prol de seus ideais. Os acontecimentos deste tempo moldaram uma geração idealista, revolucionária e dotada de um grande senso coletivo.

> A Geração X, nascida entre 1960 e 1979, cresceu em um contexto mundial de fortalecimento da hegemonia do capitalismo. Como consequência, a contracultura fechou-se em tribos urbanas e a maior parte da geração concentrou suas energias no mundo do trabalho, enaltecendo a meritocracia e admirando a imagem do yuppie norte-americano. Sua valorização ao mundo do consumo, das marcas de luxo e do status foi algo sem precedentes. São caracterizados como a geração mais competitiva, individualista e materialista da história.

> Os Millennials, nascidos entre 1980 e 1994, cresceram num mundo em abertura e cada vez mais globalizado. Quando adolescentes, viram a internet surgir. Adaptaram-se rapidamente à nova lógica de mundo. Vivendo um período de estabilidade econômica no Brasil, permitiram-se estudar mais, questionar as instituições e ousar futuros profissionais diferentes de seus pais. Focaram seu consumo nas experiências e no intangível. É identificada como uma geração global, abstrata e questionadora.

Voltando ao que interessa, a Geração Z, a mais atual, é composta por lindos seres humanos que não conheceram o mundo sem internet; não separam online e offline; vivem realidades múltiplas e simultânea; têm um cérebro que faz milhões de conexões diferentes. Ou seja, eles são hipercognitivos.

A Box1824, empresa de soluções estratégicas especializada em comportamento e inovação – em parceria com a McKinsey, realizou uma pesquisa com 2.500 jovens entre 14 e 22 anos das classes ABC de todo o Brasil, em 2017. O resultado foi um amplo desenho dos comportamentos da geração Z, que o estudo nomeou como TrueGen.

Diante de um estudo bem aprofundado, eles chegaram a quatro macro comportamentos. Vou contar um pouquinho deles aqui e deixo com vocês o vídeo fresquinho, lançado ontem, 30/10/2018, que ilustra bem os pontos abaixo.

Comportamento 1 – Undefined ID

Neste comportamento reverbera a ideia de que a definição limita. O importante é quebrar estereótipos e jamais se rotular. Os jovens do agora estão sempre buscando novos conceitos. Vivem uma constante experimentação sexual, de identidade e expressão de gênero, quebrando uma série de preconceitos construídos e perpetuados por seus antepassados. Colocam em prática a cultura da soma: o que vale é o “e” e não o “ou”.

Comportamento 2 – Comunaholics

A Geração Z está constantemente buscando uma identidade autêntica e uma forma de expressão genuína. Isso faz com que as diferenças sejam muitas, e todas elas são aceitas. O jovem do agora é radicalmente inclusivo. Se no passado as pessoas tendiam a se relacionar com iguais em diferentes dimensões (posição política, gosto musical e orientação sexual, por exemplo), a Geração Z tem como marca registrada relacionar-se com pessoas diversas. Apesar de poderem ter opiniões, gostos e origens diferentes, eles são capazes de se unirem ao se identificarem com uma causa em comum. Se todos forem veganos, por exemplo, já é o suficiente para se relacionarem. Com alto poder de mobilização, a Geração Z demanda novas atitudes de grandes instituições.

Comportamento 3 – Dialoguers

Em um cenário em que as diferenças são aparentes e os pontos de conexão são mais fáceis, é necessário saber conversar. A Geração Z tem a habilidade do diálogo e acredita nessa ferramenta para transformar o mundo. Eles são mais tolerantes ao diferente —  inclusive o diferente que represente uma ideia oposta à sua. É verdade que o jovem carrega, somente por ser jovem, o estigma de romper com o status quo. Antes da Geração Z, os Millennials já eram extremamente combativos em relação às suas convicções. A diferença é que os jovens do agora têm grande poder de empatia e suas atitudes vêm como estímulo à construção e não à ruptura.

Comportamento 4 – Realistics

Como falado, a Geração Z tem a possibilidade de controlar cada um dos seus passos através da tecnologia. Além disso, viram de perto a crise econômica acontecendo no Brasil e, por isso, são muito mais realistas e pragmáticos. Esse pragmatismo é tão forte que impulsiona uma grande sede pelo aprendizado sem intermédio de ninguém. São autodidatas e empreendedores em muitos campos, e enxergam o YouTube como uma das grandes escolas da vida. Preocupados e responsáveis, muitas vezes a Geração Z sacrifica sonhos de carreira em detrimento de uma segurança maior. Para eles, dinheiro é importante e carteira assinada é sinônimo de estabilidade.

Undefined ID

São a sua verdade.

Comunaholic

Conectam-se a diferentes verdades.

Dialoguers

Compreendem todas as verdades.

Realistics

Enxergam a verdade ao redor.

Conclusão: seres muito evoluídos <3

Manuela é jornalista e relações públicas. Hoje é sócia da empresa Rahall, responsável por criar plataformas de influência, experiência e conteúdo para grandes marcas.