O poder do grupo (emergência)

9 de Janeiro de 2019 | 1 semana atrás | Tempo de leitura: 9 minutos

Times podem ser uma maneira incrível de atingir metas dentro de organizações, mas podem também nos tornar mais ignorantes. Devemos entender o lado sombrio da emergência para mitigá-lo e aproveitar ao máximo os grupos que formamos.

por Lucas Netto e traduzido por Mateus Oliveira

Como gerentes, nunca podemos subestimar o poder do grupo. Grupos são ferramentas muito poderosas para atingir metas, mas eles também podem agir contra nós. Em todas as organizações ao redor do mundo, todos os dias formamos grupos para conduzir projetos e comitês para tomadas de decisão. Em um mundo onde a inovação e a diferenciação são fundamentais para a sobrevivência das empresas, não podemos ignorar o impacto que a emergência e a dinâmica do grupo podem ter em nossos objetivos.

Emergência é complexidade decorrente da simplicidade”. É um fenômeno ou condição de sistemas complexos quando o todo produz resultados que suas partes, individualmente, não seriam capazes. As formigas, por exemplo, são insetos com minúsculos cérebros privados de inteligência. No entanto, quando juntas, formam sociedades complexas com coordenação, planejamento e estrutura social, onde cada formiga assume um papel muito específico no formigueiro. A inteligência aqui emerge da interação das formigas. Isso é emergência.

Emergência não está restrita a formigas. Ela também desempenha um papel em nossas sociedades e empresas. Isso geralmente significa que podemos conseguir mais através de grupos. Juntos nos tornamos mais inteligentes. Sim, de fato, mas nem sempre. Não é apenas positivo e deve-se estar ciente das desvantagens resultantes deste fenômeno.

Devido a emergência, indivíduos são ligados a grupos e o grupo se torna mais importante do que os próprios indivíduos. Isso significa que nos tornamos menos humanos, mais impulsivos e irracionais à medida que nossa “mente de massa” começa a operar. Emergência conduz a leis de comportamento e conduta. Isso pode ser visto quando multidões saem do controle e foi demonstrado empiricamente no Experimento da Prisão de Stanford (Stanford Prison Experiment), uma das mais importantes descobertas de maldades institucionalizadas já conduzidas em um laboratório.

Outro fenômeno conhecido como contágio emocional também ocorre em grupos. Eu faço o que o grupo faz, mesmo que esse não seja meu comportamento natural, meu modo de agir ou minha crença. Conforme descrito por BOND (2014):

(…) Você quer fazer a mesma coisa que as outras pessoas, não porque você acha que é melhor – embora você possa – mas porque o que importa é fazer as coisas juntos. Todos queremos pertencer a um grupo e nos identificar com outras pessoas desse grupo. ”

Portanto, se alguém do meu grupo está trapaceando, acho mais aceitável do que se essa pessoa pertencesse a um grupo oposto. A ignorância pluralista também desempenha um papel – eu não sei o que fazer então eu sigo o grupo (o grupo fica mais ignorante). O cérebro humano categoriza as pessoas em grupos sociais, de modo que a dinâmica de grupo aqui conduz a um efeito “nós versus eles”. Não estar ciente de tal estrutura pode levar a resultados adversos ao agrupar pessoas.

Grupos são de fato importantes, mas as precauções necessárias precisam ser tomadas para compensar as desvantagens da emergência. Entendido isso, podemos tomar as ações necessárias. Algumas medidas simples podem ser: resgatar e sublinhar a consciência e responsabilidade individual, e garantir que um grupo seja suficientemente diversificado, frequentemente alternando seus membros.

Liderança também é fundamental. Se você quer que as tarefas sejam concluídas, você precisa ter certeza de que a mensagem seja moldada corretamente e focada em comportamentos. Concentrando-nos em comportamentos, os corações e crenças das pessoas seguirão. Colaboradores precisam entender e serem capazes de ver o impacto de seu trabalho. Não simplesmente a entrega de um serviço ou produto. Como líder, eleve-os além do trabalho ou da tarefa que está sendo executada e coisas surpreendentes poderão ser alcançadas.

 Check out the english version below:

THE POWER OF THE GROUP (EMERGENCE)

Teams can be an amazing way to achieve goals inside organizations but it can also make us more stupid. We should understand the dark side of emergence to mitigate it and get the most out of the groups we form.

by Lucas Netto 

As managers, we can never underestimate the power of the group. Groups are a very powerful tool to achieve goals but they can also act against us. In every organization around the world we every day form groups to drive projects, committees and decision taking. In a world where innovation and differentiation are key for the survival of companies, we cannot oversee the impact that emergence and group dynamic can have on our goals.

“Emergence is complexity arising from simplicity”2. It is a phenomenon or condition of complex systems when the whole produces results that its parts, individually, do not. Ants for instance are insects with tiny brains deprived from intelligence. However, when grouped they form complex societies with coordination, planning and a social structure where every single ant assumes a very specific role in the anthill. The intelligence here emerges from the interaction of the ants. That’s emergence.

Emergence is not restricted to ants. It also plays a role in our societies and companies. It often means that we can achieve more through groups. Together we become smarter. Yes, indeed but not always. It is not only positive and one should be aware of the downsides resulting from this phenomenon.

Due to emergence, individuals are attached to groups and the group becomes more important than the individuals themselves. This means that we become less humans, more impulsive and irrational as our “mass mind” starts to operate. Emergence leads to laws of behavior and conduct. This can be spotted when crowds get out of control and was empirically demonstrated in the Stanford Prison Experiment, one of the most important exploration of institutionalized badness ever conducted in a lab.

Another phenomenon known as emotional contagion also takes place in groups. I do what the in-group does, even if that is not my natural behavior, way of acting or my belief. As described by BOND (2014):

(…)You want to do the same thing as other people, not because you think it’s better – although you may – but because what matters is doing things together. We all want to belong to a group, and identify with other people in that group.”

Therefore, if someone from my own group is cheating, I find it more acceptable than if that person belonged to an opposite group. Pluralistic ignorance also plays a role – I don’t know what to do so I follow the group (the group gets more stupid). The human brain categorize people into social groups so the group dynamics here leads into a “us versus them” effect. Not being aware of such framework can lead to adverse results when grouping people.

So groups are indeed important but the necessary precautions need to be taken to offset the downsides of emergence. Once we understand this, we can take the necessary actions to reverse it. Some simple measures could be bringing back individual awareness and personal responsibility, and making sure to have a group diverse enough working together, and frequently rotate them.

Leadership is also key. If you want to get things done, you need to make sure the message is shaped properly and focused on behaviors. If we focus on behaviors, people’s hearts and beliefs will follow. They should understand and be able to see the impact of their jobs. Not simply delivering a service or a product. Elevate them beyond the job or task they are executing and amazing things can be achieved.

 Lucas trabalha há mais de 15 anos na área de Suprimentos, Logística e Comércio Exterior. Hoje, em Bruxelas, está à frente da área de Supply Chain do Grupo Magotteaux,  líder mundial em soluções para indústrias extrativas.