Inclusão de mulheres e minorias na área de tecnologia  é destaque na Campus Party Brasil

15 de Fevereiro de 2019 | 3 meses atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Em meio a supercomputadores, drones, desafios de programação, ciência e outros assuntos, um tema que chamou a atenção na 12ª edição da Campus Party Brasil foi a inclusão de mulheres e minorias no mercado de tecnologia.

Nos dias 13 e 14 de fevereiro, 8 palestras tiveram como tema a diversidade. Entre elas, painéis e palestras compostos somente por mulheres contaram com palcos lotados.

Maitê Lourenço, fundadora da BlackRocks, instituição que ajuda negros a empreender, fez um questionamento importante. “Olhem ao redor de vocês e observem quantas pessoas negras estão à sua volta. Quem não se incomodar com essa imagem: a gente precisa conversar. O mercado de tecnologia ainda é majoritariamente composto por pessoas brancas”.

Em outra palestra, Jennifer Rodrigues, psicóloga graduada pela Anhembi Morumbi e sócia do Empreende Aí, também abordou um tópico relacionado ao mesmo assunto.

Sua empresa capacita empreendedores em territórios populares. Segundo Jennifer, após participarem do programa de capacitação, os negócios locais aumentaram seu faturamento em cerca de 3 vezes, após 6 meses do final do programa.

Ao lado dela, Michelle Alves, que mora no Capão Redondo desde os 17 anos de idade, contou que, em muitos casos, as pessoas são empreendedoras e nem imaginam. Segundo ela, sua avó fazia tranças nas pessoas da comunidade e, com isso, foi capaz de criar os seus filhos com a renda gerada pelo seu trabalho. “Ela nem imagina, mas foi uma grande empreendedora”.

Em 2012, Michelle, que não se via representada no mercado da moda, queria fazer algo voltado para a mulher negra e africana. Dessa vontade nasceu a Boutique de Krioula, que vende turbantes e brincos. Porém, sem a ajuda da tecnologia, Michelle estava ficando para trás quando o mercado da China se intensificou. Com isso, foi necessário usar a internet a seu favor, criando uma loja online para vender seus produtos. Atualmente, sua criações são vendidas principalmente no Brasil, França, Portugal e Angola.

Nina Silva, fundadora do movimento Black Money, que visa o incentivo ao empreendedorismo entre negros chamou a atenção para o fato de mulheres e minorias continuam tendo pouco espaço no mercado de tecnologia e, mesmo quando ocupam cargos de alto nível, em muitos casos o tratamento e remuneração é diferente.

Visando a inclusão e o acesso dessas pessoas à tecnologia, a prefeitura de São Paulo, apoiadora institucional da 12ª Campus Party Brasil, doou para 140 mulheres ingressos de camping, dos 300 que tinha para distribuir. Dos 1,1 mil ingressos para visitar o evento sem acampar, 655 foram cedidos também a mulheres, 180 a homens negros periféricos e mais de 100 a pessoas LGBT, segundo a produtora Kamila Camilo.

Mulheres e minorias na área tecnologia

Como falamos aqui, a premiada pesquisadora Joana D’Arc Félix também se apresentou no evento.

A química, professora e cientista brasileira que já ganhou 82 prêmios na carreira, incluindo o  Kurt Politizer de Tecnologia de “Pesquisadora do Ano”, em 2014, falou sobre a importância da inclusão social. Para ela, o importante é seguir em frente apesar dos obstáculos.

Joana leciona em uma escola técnica em Franca, no interior de São Paulo, e concede bolsas de iniciação científica aos estudantes.

A 12ª edição da Campus Party Brasil espera cerca de 120 mil pessoas até 16 de fevereiro. No sábado, último dia do evento, a agenda conta com palestras sobre empreendedorismo social, racismo e sua perpetuação com a ajuda da tecnologia, além do cenário feminino na área de games.