Sua organização está sofrendo de FOMO?

7 de novembro de 2018 | 2 semanas atrás | Tempo de leitura: 12 minutos

O “medo de ficar para trás” pressiona empresas a adotarem as mais recentes tecnologias, mesmo quando lhes faltam recursos e conhecimento para fazê-lo. Não deveríamos dar um passo atrás, nos concentrar no simples e primeiramente buscar compreender quais problemas estamos tentando resolver?

Por Lucas Netto e tradução por Mateus Oliveira

Em 2013, o acrônimo FOMO foi adicionado ao Oxford English Dictionary para descrever o sentimento constante de estarmos ficando para trás, a ansiedade criada pelas mídias sociais, onde os outros parecem estar sempre fazendo algo melhor do que você. FOMO, a forma abreviada de “medo de ficar para trás” (feeling of missing out), parece ser a nova epidemia de uma geração altamente motivada e impactada pelas aparências  – pelo menos, a online.

Embora o dicionário aplique FOMO apenas às pessoas, devemos nos perguntar se também não é o caso em nossas organizações e quais são as consequências disso. Como mencionado em meu artigo anterior, o acesso à informação nunca foi tão fácil e o ritmo em que produzimos conhecimento hoje é exponencial. Em tempos como esses, a inovação parece ser a única maneira de as empresas prosperarem. Inteligência artificial, IoT, blockchain, robôs e veículos autônomos são agora tópicos recorrentes na agenda de todos os boards e diretorias (e deve ser!). No entanto, muitas empresas não têm os recursos e o conhecimento necessário para implantá-las e é aí que o FOMO pode estar nos atingindo.

Não me entenda mal, eu pessoalmente acredito que estamos vivendo tempos incríveis. Eu também acredito que os benefícios de toda essa revolução tecnológica são maiores do que qualquer impacto negativo que ela trará ao longo do caminho. No entanto, voltando às nossas organizações, eu me pergunto se a atual febre muitas vezes não se transforma em ansiedade levando executivos a tomarem decisões sem uma clara compreensão do problema que estão tentando resolver e dos resultados que querem alcançar. Afinal, será que você pode se dar ao luxo de dizer que sua empresa não está investindo em nenhuma dessas “novas tendências”? E se a concorrência o fizer primeiro?

Na verdade, ninguém está disposto a arriscar. Também é verdade que não podemos sentar e esperar. Portanto, esse “medo de ficar para trás” se constrói e voltamos às nossas equipes com o mantra de que devemos inovar. Mas não qualquer tipo de inovação: parece que a única maneira aceitável de inovação é através da implantação de inteligência artificial, blockchain, big data, etc. Então lá vamos nós. Analisamos as ferramentas antes de refletir sobre o que estamos tentando resolver e, a menos que você tenha muito dinheiro para queimar, simplesmente ir até a empresa vizinha e pedir aquela solução A.I plug-and-play não irá funcionar. Até mesmo a mais fascinante das tecnologias requer um objetivo claro. Afinal, o que você está tentando atingir?

Por outro lado, o FOMO poderia ser um gatilho para o desenvolvimento mais rápido dessas tecnologias. Sim, uma maneira onerosa, mas assim aprendemos enquanto caminhamos. Além disso, quanto mais popular, mais acessível ficará. Então não há nada de errado com isso, certo? Infelizmente, a realidade é um pouco mais difícil e sabemos que a maioria das pequenas e médias empresas simplesmente não podem se dar ao luxo de dar um tiro no escuro. Então, como damos passos cautelosos, como evitar que o FOMO assuma o controle?

Psicólogos recomendam a uma pessoa que sofre de FOMO praticar o discernimento, “distinguindo o que é verdadeiramente importante e necessário do que é meramente desejável, e escolher eliminar algumas das coisas que não contribuem para o aprofundamento da qualidade de sua experiência de vida”. Outro conselho é fazer uma coisa de cada vez. A multitarefa é descrita como uma “atividade mítica em que as pessoas acreditam que podem realizar duas ou mais tarefas simultaneamente, da mesma forma que uma. Quando as pessoas tentam se dedicar a muitas tarefas por vez, elas geralmente não são bem-sucedidas. Quando estão focadas em uma única tarefa, e dão toda a sua atenção a ela, não apenas são mais propensas a ter sucesso em produzir um resultado de alta qualidade, mas seu nível de satisfação ao realizar a tarefa é muito maior”.

Mas e os nossos negócios?

Poderíamos dizer que não é muito diferente. Concentre-se e priorize. Avalie suas opções e o que agrega valor. Não basta ir com o fluxo. Ron Stein em seu artigo “Não deixe o FOMO (‘medo de ficar para trás’) segurar seu negócio” acrescenta: pare de perseguir novos objetos brilhantes. É fácil se distrair e mais não é necessariamente melhor. Mas use o FOMO a seu favor, para que você não fique muito confortável e perca a vantagem no mercado.

A outra pergunta que provavelmente deveríamos nos fazer é se não estamos deixando de lado coisas muito mais simples, porque acreditamos que a tecnologia fará tudo. Em suma, discutimos a inteligência artificial e deep learning, mas ainda não conseguimos tirar aquele relatório do SAP. É uma declaração engraçada, talvez patética, mas uma realidade na maioria das empresas.

A busca pela inovação é necessária. No entanto, a solução dos problemas mais comuns geralmente se baseia em simplificar as coisas. Olhemos à nossa volta para as start-ups mais disruptivas dos últimos 5 anos. Não é de surpreender que todas trazem simplicidade. Uber, Airbnb, fintechs, você escolhe. O que eles fizeram? Não é a inteligência artificial e os robôs que fizeram dessas empresas de garagem verdadeiras potências, foi tornar nossas vidas mais simples.

Check out the english version below:

Is your organization suffering from FOMO?

The “fear of missing out” pushes businesses towards trendy technologies even when they lack the resources and knowledge to do so. Should we not step back, focus on simpler things and have a clear understanding of the problems we are trying to solve first?

by Lucas Netto

In 2013, the acronym FOMO was added to the Oxford English Dictionary to describe the constant feeling of being behind our peers, the anxiety created by social media where everyone else seems to be doing something better than you. FOMO, the short form of “feeling of missing out” seems to be the new plague of a generation highly driven and impacted by appearances (at least, the online one).

While the dictionary only applies FOMO to people, we should ask ourselves of whether it is also not the case in our organizations and the consequences of such. As mentioned in my previous article, access to information has never been so easy and the pace at which we produce knowledge today is exponential. In times like these, innovation seems to be the only way for corporations to thrive. Artificial intelligence, IoT, blockchain, robots, and autonomous vehicles are now recurrent topics on the agenda of every board and management (and it should be!). However, many businesses lack the resources and knowledge to deploy such technologies and that is where FOMO may be hitting us.

Don’t get me wrong, I personally believe we are living amazing times. I also believe that the benefits of all this technological revolution are greater than any negative impact it will bring along the way. Nevertheless, back to our organizations, I wonder if the current hype often does not transform into anxiety and pushes executives to make decisions without a clear understanding of the problem they are trying to solve and the results they are trying to achieve. After all, can you afford to say that your company is not investing in any of those “fancy new things”? What-if competition does it first?

In fact, no one is willing to take any chances. It is also true that we cannot sit and wait. Therefore, this “fear of missing out” builds up and we tell our teams that we must innovate, but not any kind of innovation, it seems that the only acceptable way of innovation is through the deployment of artificial intelligence, blockchain, big data, etc. So here we go. We look at the tools before reflecting upon what we are trying to solve and unless you have a lot of cash to burn, simply going over to the company next door and asking for their plug-and-play A.I solution will not do the job. Even the most fascinating technology requires a clear objective. What are you trying to achieve after all?

On the other side, FOMO could be a trigger for the faster development of these technologies. A costly one, but still we learn as we go. In addition, the more it goes mainstream, the more accessible it gets. So there is nothing wrong with it, right? Unfortunately, reality is a bit harder and we know that most small and mid-size organizations simply cannot afford to take a shot in the dark. So how do we take cautious steps, how do we avoid FOMO from taking the driver’s seat?

Psychologists will recommend a person suffering from FOMO to practice discernment, “distinguishing what is truly important and necessary from what is merely desirable, and choose to eliminate some of the things that don’t contribute to the deepening of the quality of your life experience”1. Another advice is to do one thing at a time. Multitasking is described as a “mythical activity in which people believe they can perform two or more tasks simultaneously as effectively as one. When people attempt to apply themselves to too many tasks at a time, they are usually not successful. When they are focused on a single task, and give their full attention to it, not only are they more likely to be successful in producing a high quality result, but their level of satisfaction while performing the task is much higher”.

But what about our businesses?

We could say it is not much different. Focus and prioritize. Evaluate your options and what adds value. Do not simply go with the flow. Ron Stein in his article “Don’t let FOMO (‘fear of missing out’) hold your business back” adds: stop chasing shiny new objects. It is easy to get distracted and more is not necessarily better. But use FOMO in your favor, so you don’t get too comfortable and lose the edge in the market.

The other question we should probably ask ourselves is if we are not leaving undone much simpler things because we believe technology will do it all. In short, we discuss artificial intelligence and deep learning but we cannot get that report out of SAP. It is a funny statement, maybe a pathetic one, but a reality in most businesses.

The quest for innovation is needed. However, the solution of most common problems often rely on simplifying things. Look around at the most disruptive start-ups in the last 5 years. Not surprisingly, it is all about making it simpler and bold. Uber, Airbnb, fintechs, you name it.  What did they do? It is not artificial intelligence and robots that made these garage-type companies real powerhouses, it is making life simpler.

 Lucas trabalha há mais de 15 anos na área de Suprimentos, Logística e Comércio Exterior. Hoje, em Bruxelas, está à frente da área de Supply Chain do Grupo Magotteaux,  líder mundial em soluções para indústrias extrativas.