Quem diria?

11 de outubro de 2018 | 2 semanas atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Por Juliana Leandra

O emoji foi inventado pelo artista japonês Shigetaka Kurita, em 1999, e foi em meados do começo dos anos 2000 que ele se tornou disponível fora do Japão. Os ícones configurados em forma de rostinhos amarelos com vários tipos de expressões, frutas, animais, meios de transporte, entre outros símbolos, começaram a circular internacionalmente e inauguraram uma jornada que, durante os próximos anos, amplificaria ainda mais o alcance dessa linguagem, até então, limitada à comunicação entre adolescentes.

Em 2011, quando a Apple oficializou o teclado de emoji, integrando-o ao sistema operacional iOS, a linguagem espalhou-se em escala global e o Android, dois anos depois, seguiu o mesmo caminho, já que a comunicação através de símbolos conquistou vários círculos, até mesmo os círculos de business. Nos EUA, a Casa Branca, por exemplo, chegou a divulgar um relatório econômico ilustrado com emojis.

Do ano 2011 em diante, diversas gerações adotaram essa colorida e simplificada forma de comunicação em fluxo constante. Fora dos quadros smartphone e tablets, o emoji se tornou merchandising e chegou ao cinema com “Emoji: O Filme”. Ao alcançar gerações que vão das mais novas às mais velhas, o uso de emoji em seus mais variados formatos adquire uma percepção pop das massas.

Devido à simplicidade com que esses símbolos circulam, a facilidade de compreensão de suas funções e o alcance global refletindo consumo em massa, a notícia de que um emoji foi adquirido para a coleção permanente do Victoria and Albert Museum, na Inglaterra, vem com uma certa surpresa.

De acordo com a curadora do departamento de Design e Digital do museu, Corinna Gardner, “o objetivo do programa rapid response do museu é trazer para a coleção objetos que permitam discussão ou crítica popular e que perguntas mais amplas – sejam elas políticas, sociais, econômicas ou tecnológicas – sejam feitas”.

O emoji escolhido para aquisição do Victoria and Albert Museum foi o mosquito. A ideia por trás da escolha foi comunicar rapidamente e além das barreiras linguísticas a presença de um dos animais mais perigosos do mundo. Apesar de não ser a primeira vez que um museu de grande porte adquire emojis para a sua coleção – o MoMA, de Nova York, incluiu um conjunto de 176 emojis em sua coleção em 2016 –, é relevante pensar nessas aquisições como marcos em que objetos não palpáveis se tornam objetos colecionáveis.

Da mesma forma que a video art teve lá as suas controvérsias quando ganhou espaço em museus e galerias de arte no final dos anos 60, os avanços tecnológicos atuais acentuam a questão da comunicação instantânea global em forma de ícones e símbolos ao incorporar o seu lado artístico e ser adotada por inúmeros nichos que abrangem diversos níveis de rotulação cultural, social e intelectual.

 

Juliana é formada em Cinema e Novas Mídias pela The New School, em Nova York. Fundadora e diretora artística do Dream Box Lab, ela conceitualiza e desenvolve projetos que adotam o formato de exposições, instalações e publicações independentes.