Comportamento financeiro

20 de dezembro de 2018 | 5 meses atrás | Tempo de leitura: 5 minutos

Por Danilo Kawasaki

No mundo da gratificação instantânea em que vivemos hoje, planejar para o longo prazo tornou-se uma arte perdida. Como consultor financeiro, manter os clientes focados em suas metas de longo prazo é uma das nossas principais prioridades. Não existem atalhos para o sucesso. Embora isso possa parecer tão simples, por que tantas pessoas reagem emocionalmente a decisões financeiras que resultam em mau desempenho, estresse e uma desconfiança geral sobre como investir o seu dinheiro?

O estudo do comportamento financeiro tem as respostas para você. Ele busca combinar a teoria psicológica comportamental e cognitiva com as finanças convencionais para explicar porque as pessoas tomam decisões financeiras irracionais. Aqui estão as razões mais comuns pelos quais as pessoas cometem erros financeiros:

Aversão à perda

Aversão míope às perdas é uma concepção psicológica criada a partir da Teoria dos Prospectos de Daniel Kahneman e Amos Tversky. De acordo com ela, as pessoas são mais sensíveis à perda do que a ganhos de magnitude igual.

Em função dessa concepção, a aversão excessiva ao risco está associada ao comportamento míope do investidor. Ou seja, a miopia implica em perdas do agente econômico que acentua o comportamento de aversão à perda.

Para evitar o sentimento de arrependimento depois de fazer uma escolha com um potencial resultado negativo, pessoas com maior tendência a aversão às perdas tendem a correr menos riscos, diminuindo assim o potencial de resultados ruins. Isso também explica a relutância em se livrar de investimentos que não deram certo para evitar confrontar o fato de que eles tomaram uma decisão errada.

Mau perdedor

Existe uma tendência humana de se arrepender arrependimento quando cometemos erros, inclusive pequenos, e a não ver esses erros numa perspectiva ampla.

Tentando evitar a dor do arrependimento, o indivíduo pode alterar o seu comportamento, agindo, muitas vezes, de maneira  irracional.

A teoria do arrependimento pode ajudar a explicar o fato de que investidores adiam a venda de títulos ruins e vendem títulos que foram valorizados. Manter um título perdedor pode ser encarado como uma forma de não “finalizar” o erro. Pensando nisso, eles ainda são capazes de vender os títulos valorizados para não se arrepender no futuro.

O mau perdedor tende a segurar um investimento que não tem mais nenhum valor ou vender um investimento ganhador cedo demais para compensar as perdas anteriores. Isso é prejudicial porque obviamente diminui seu retorno e também cria impostos desnecessários.

Memória curta

As pessoas muitas vezes fazem escolhas baseadas no desempenho recente e na crença equivocada de que os retornos históricos preveem resultados futuros. Isso é acentuado pelo fato de que a mídia e as próprias empresas de investimento aumentarão sua publicidade quando o desempenho passado for alto para atrair novos investidores.

Culpar os outros

Pessoas que atribuem resultados bem-sucedidos às suas próprias ações e resultados ruins a fatores externos. Este é um mecanismo de autoproteção, que pode levar ao excesso de confiança e riscos desnecessários.

Autoconfirmação

A armadilha da confirmação consiste na busca de informações que evitem conflito com aquilo que já se tem em mente. As pessoas tendem a buscar informações de confirmação para o que consideram ser verdadeiro e negligenciam a busca de indícios de não confirmação.

É difícil de mudar nossa primeira impressão porque tendemos a prestar mais atenção a informações que sustentam nossas opiniões, ignorando opiniões contrárias.

O mais importante é que seus investimentos estejam de acordo com o risco que você está confortável em aceitar, considerando o prazo de suas metas de investimento. Em seguida, mantenha as chances a seu favor aderindo à sua estratégia de investimento, em vez de deixar que suas emoções obtenham o melhor retorno possível.

Danilo mora na Califórnia e é co-fundador, vice-presidente e COO da Gerber Kawasaki. Em 2018, foi indicado pela Investment News como um dos 40 principais consultores financeiros com menos de 40 anos no país.