Economia comportamental: como fazer nossas promessas de ano novo darem certo?

27 de dezembro de 2018 | 5 meses atrás | Tempo de leitura: 5 minutos

A economia comportamental é a área da economia que estuda as influências cognitivas, sociais e emocionais do comportamento econômico das pessoas. Ou seja, estamos falando de uma junção de economia e psicologia no estudo do comportamento humano e da tomada de decisão. Com o fim de 2018, surgem muitas promessas de ano novo, mas como a economia comportamental pode nos ajudar a fazer elas darem certo?

Antes de falarmos sobre as promessas de ano novo, é importante entender o que é exatamente a economia comportamental, já que essa é uma disciplina relativamente nova.

Sua criação decorre da incorporação, pela economia, de desenvolvimentos teóricos e descobertas empíricas no campo da psicologia,  neurociência e de outras ciências sociais. Os teóricos e pesquisadores da área partem de uma crítica à abordagem econômica tradicional, que se apoia na concepção do “homo economicus’, uma pessoa que toma decisões de maneira racional, ponderada e centrada no interesse pessoal.

Em contrapartida à economia tradicional, surge a economia comportamental. Nesse caso, a realidade é bem diferente, e a abordagem defende que as pessoas tomam decisões com base em hábitos e experiências pessoais. Além disso, mostra que elas têm dificuldade em equilibrar interesses de curto e longo prazo e são influenciadas por fatores emocionais e pelo comportamento dos outros.

Um economista comportamental procura entender e modelar as decisões individuais a partir dessa visão que tem do ser humano. Para fazer isso, são levadas em consideração as influências psicológicas, emocionais, conscientes e inconscientes que afetam o ser humano em sua tomada de decisão.

Mas como isso pode ajudar no cumprimento das promessas de ano novo?

A economia comportamental pode ser muito eficaz na hora de cumprir promessas de ano novo ou quaisquer outras que nos dispusemos a realizar.

Para fazer isso, existe um conceito dentro dessa abordagem que pode ser aplicado de diversas maneiras, o Nudge.

O empurrão para a escolha certa

O nudge, também conhecido como arquitetura da escolha, é a organização do contexto em que as pessoas tomam decisões, visando influenciá-las de forma prevista. É uma intervenção comportamental, um cutucão, um pequeno empurrão que ajuda a pessoa a seguir o melhor caminho e tomar a melhor decisão, com base nos próprios interesses da pessoa.

O termo foi criado pelos economistas comportamentais Richard Thaler e Cass Sunstein, autores do livro “Nudge: o empurrão para a escolha certa”.

Tendo esse conceito em mente, podemos aplicá-lo de diversas maneiras a fim de contribuir para a conclusão das promessas de ano novo:

Pense bem e tangibilize suas promessas

Em um primeiro momento é importante pensar bem antes de fazer uma promessa. Metas intangíveis ou abstratas são mais difíceis de serem alcançadas. Quando algo é mensurável, fica muito mais fácil de ser cumprido e de realizar uma avaliação de desempenho.

Por exemplo: ao invés de prometer que será uma pessoa ligada à caridade em 2019, coloque metas, seja racional. Se comprometer a realizar uma ação de caridade a cada 15 dias é algo que tangibiliza sua promessa, já que você pode avaliar seu desempenho e mensurar. É um Nudge simples que irá empurrar você ao melhor caminho: aquele já escolhido por você mas que pode se perder se estiver abstrato.

Anote tudo

Aqui vale anotar em um papel ou utilizar ferramentas que lembrem você da existência das suas promessas, como aplicativos.

Quando deixamos de anotar um objetivo, acabamos nos sabotando posteriormente. Sendo assim, é importante criar mecanismos para estarmos sempre conscientes do que prometemos e não nos enganar.

Torne pública sua promessa

Há muitas promessas que são extremamente pessoais, porém, se for possível compartilhá-la com outras pessoas, faça isso!

Esse Nudge é capaz de nos “forçar” a cumprir algo que gostaríamos, mas que talvez ficasse esquecido se não fosse dito a ninguém. Ele dá um peso de obrigação, o que facilita o cumprimento da promessa.

Basicamente, devemos tentar criar mecanismos que nos a ajudem a estar conscientes das promessas realizadas e que sejam capazes de dar um empurrão para o caminho certo: ou seja, para a conclusão.

Pensar em estratégias levando em consideração que nosso comportamento racional é limitado e que em determinado momento podemos cansar e desistir das promessas é essencial. Nosso autocontrole é limitado, mas a economia comportamental pode ser uma forte aliada nesse momento e nos ajudar a cumprir todas as promessas de ano novo.