Can’t Stop, Won’t Stop

24 de Janeiro de 2019 | 7 meses atrás | Tempo de leitura: 4 minutos

Por Juliana Leandra

O poder da linguagem. É através da linguagem, articulada junto à performance e outros meios de expressões artísticas que artistas conceituais potencializam o estímulo à criatividade e buscam por alternativas de formatos de exposições atípicas em ambientes institucionais. A arte conceitual se desprende do formalismo adotado por determinadas técnicas artísticas, como a pintura e escultura. Sendo fotografia uma das técnica mais trabalhadas em arte conceitual, o processo de criação de trilhas sonoras, desenhos arquitetônicos e escritas em superfícies não convencionais, similarmente, abrem um leque no qual a ideia por trás da criação de uma obra de arte prevalece o resultado final.

Dentro desta premissa de que arte conceitual é baseada na noção de que a essência da arte é uma idéia ou conceito e pode existir distintamente (ou na ausência) de um objeto tangível como sua representação, o artista John Baldessari se tornou ativo em uma cena que, iniciada no final dos anos 1960, se estendeu durante os anos 1970 e foi liderada por artistas como Ed Ruscha, William Leavitt, Laurence Weiner e Joseph Kosuth.

John Baldessari foi um dos artistas pioneiros a modelar a cena de arte conceitual, que os capacitavam a explorar as interfaces da linguagem e da imagem filtradas pelas lentes da cultura de massa. Sua prática ficou conhecida pelo uso de imagens que ele recompõe ao cuidadosamente selecionar fotografias que são combinadas com texto e, muitas vezes, cobertas com grandes pontos e faixas de cor para mascarar ou chamar a atenção para áreas de detalhe.

Ao reimaginar e desorientar imagens, o artista levanta questões de como nós trocamos e entendemos informação, mantendo o interesse em questões de contexto e especificidade cultural. O por que do título Can’t Stop, Won’t Stop? Porque mais uma vez o emoji se insere na esfera das artes e é o poder da comunicação em massa que acentua a sua presença.

Intitulada Emoji Series, a exposição de Baldessari apresenta uma série de nove serigrafias na galeria Gemini G.E.L at Joni Moisant Weyl, em Nova York. Sempre focado no futuro da linguagem e suas peculiaridades, o fascínio do artista por emojis não é surpresa, pois esses símbolos usados em comunicação digital são um cruzamento entre glifo, imagem, pictograma e ícone.

Retomando o seu interesse em questões de contexto e especificidade cultural, a nova série Emoji Series, que segue uma série de pinturas de emoji de animais realizadas em 2017, reavalia as imagens onipresentes e aparentemente inócuas que usamos diariamente. Ao combinar nove emojis de comida com frases curtas e palavras inesperadas, o espectador é desafiado a entender se existe uma conexão entre essas imagens que foram instaladas em pares. Existe uma intencional provocação criada pelo artista, já que a inserção de palavras e frases irônicas e sugestivas se mostram completamente aleatórias.

Na verdade, essas imagens universais e aparentemente democráticas transcendem os limites culturais, sociais e linguísticos. Elas são facilmente subvertidas quando removidas do contexto dos smartphones e combinadas com textos diferentes. Mesmo o branco hiper-brilhante do fundo das obras parece lembrar a iluminação do fundo da tela do telefone, onde estes ícones são normalmente vistos. As cores brilhantes e a aparência pixelada são preservadas, fazendo com que a obra de arte em si represente algo além de sua natureza material.

Em tom irônico durante uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, Baldessari diz: “Só queria saber como eles seriam grandes”.

Juliana é formada em Cinema e Novas Mídias pela The New School, em Nova York. Fundadora e diretora artística do Dream Box Lab, ela conceitualiza e desenvolve projetos que adotam o formato de exposições, instalações e publicações independentes.