Como (e por que) pessoas estão pagando R$750 mil por lotes virtuais

Tecnologia

18 de junho de 2018 | 4 semanas atrás | Tempo de leitura: 3 minutos

Ter uma casa própria — ou um terreno próprio — é caro. Muito caro. Por exemplo, preço médio do metro quadrado chega a 7.225 reais no Tatuapé, em São Paulo. Caro, com certeza, mas você está comprando um imóvel. Atualmente, há gente gastando milhares de dólares para terem terrenos que nem existem. Quer dizer, existem, mas somente virtualmente. A Genesis City é uma terra virtual, do tamanho da cidade de Washington, nos Estados Unidos. Investidores têm comprado pedaços de terra de 1100 m² por incríveis US$ 200 mil (cerca de 750 mil reais).

O motivo? Realidade virtual e aumentada. Há quem aposte (e aposte alto) que a VR e a AR irão dominar em um futuro breve. O próprio Ray Kurweil, futurista que já acertou muitas previsões, afirmou que espaços de trabalho físico serão uma coisa do passado em questão de anos e substituídos pelos virtuais.

A cidade foi criada dentro de um mundo digital ainda maior, chamado Decentraland, tudo utilizando o blockchain Ethereum. As facilidades da tecnologia descentralizada ajudaram a inovação a deslanchar, já que é fácil para usuários trocarem os tais terrenos virtuais entre si. Ari Meilich, um dos argentinos que criou a Genesis City, deu entrevista à Bloomberg e afirmou sobre sua crença em um futuro digital. “Depois que a realidade virtual se tornar um movimento em massa, e estamos caminhando nessa direção, vamos ter diversos usuários que vão precisar de uma plataforma para descobrir conteúdo”, disse.

A maioria dos early adopters não construiu nada em seu terrenos, mas já há existem divisões dos terrenos — por exemplo, modelos parecidos com Las Vegas ou até mesmo como Blade Runner.

Mas a realidade virtual não estava morta?

Foi a pergunta que fizemos neste outro texto. O que muitos especialistas dizem é que esse ciclo da VR parece adormecido — e não morto. A tecnologia é interessante, mas para muitos é desconfortável e não há nada tão impressionante que faça as pessoas investirem um bom dinheiro para tê-la em casa.

Já mostramos que a VR passa por constantes atualizações — os próprios headsets, de diferentes marcas, passam por mudanças ano a ano para tentar chegar uma versão que agrade mais o consumidor final.

Iniciativas como a Genesis Land se baseiam em um futuro em que a realidade virtual se tornará boa parte de nossas vidas. Vale lembrar, no entanto, que para muitos a realidade aumentada parece mais viável. Os donos dos terrenos sabem que o investimento é arriscado. “Mas eles são pacientes”, lembra a Bloomberg. Uma das pessoas que tem partes do terreno virtual é Ryan Kunzmann, que diz que ainda está aprendo a codificiar a sua galeria de arte na Genesis Land.