Como a inteligência cognitiva e artificial vai tomar decisões por nós

Tecnologia

22 de Maio de 2018 | 4 semanas atrás

“O Teste de Turing testa a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano, ou indistinguível deste”. A definição, aqui copiada da Wikipedia, tem sido debatida desde que a inteligência artificial ganhou as manchetes. Para Rodrigo Julian, um dos sócios da 3MW, a discussão vai por outro caminho. A inteligência cognitiva e artificial vai, aos poucos, estar presente na vida das pessoas — mas não tentando substituir os humanos. Essa IA será capaz de deduzir, calcular e direcionar as decisões da nossa vida — o que vai transformar todo o modelo de negócio atual, inclusive o das marcas e do marketing.

Para Rodrigo, o modelo atual do advertising vai fazer cada vez menos sentido. “As pessoas são egoístas”, diz. “Em uma economia de escassez, em que as pessoas precisam salvar o delas, faz sentido ser egoísta”, explica. “O cara que tem uma bicicleta bacana, por exemplo, é o diferenciado”, diz. Em uma economia compartilhada, tudo pode mudar, já que o status vai estar menos presente. “Será que as marcas mais caras e de status não vão despencar? Hoje existe espaço para todo mundo”, completa.

Dentro desse contexto, a inteligência artificial vai ter papel fundamental. Ray Kurzweil, um dos gurus do Google quando o assunto é IA e futurismo, acredita que humanos e máquinas vão ser um só 20 anos. “O híbrido de humano e robô não vai ser uma monstruosidade de metal. Vai ser um chip em seu cérebro ao invés de um iPhone em sua mão”, diz o The Next Web, baseado nas afirmações de Kurzweil. A previsão parece ousada — mesmo para um futurista. A favor de Kurzweil está seu retrospecto até hoje: das centenas de previsões que fez até hoje, esteve correto em cerca de 90% delas. Pois é.

Antes disso, nossa relação com a inteligência artificial vai ficar mais comum. Um exemplo é o Poupinha, chatbot desenvolvido pela Nama para o PoupaTempo. Ao engajar com pessoas que têm dúvidas sobre os serviços, o Poupinha teve êxito e, por várias vezes, ninguém percebia que se tratava de um robô. Tanto que muita gente agradece o Poupinha com saudações como “Que Deus te abençoe” e derivados. Para Rodrigo, a inteligência artificial é uma questão de interface. “Eu não preciso parecer humano. Preciso enganar a pessoa em relação ao que ela quer, até ela esquecer que está falando com o chatbot”, afirma.

Inteligência cognitiva e artificial para melhorar nossa vida

O caminho a ser trilhado com a inteligência artificial parece esse: o de criar uma interface que ajude os seres humanos em seus problemas. Pensando em médio a longo prazo, isso vai se integrar com o tal chip no cérebro e o sistema de IA vai poder entender o que é melhor para nós: qual é a melhor refeição para nossa saúde, qual série vamos gostar mais ou que tipo de apresentação você deve fazer para um cliente. Ou, como afirma o The Next Web, não precisaremos nem perguntar para a inteligência artificial “como está o tempo lá fora” — é só pensar e teremos a resposta. Assustador? Talvez não. Para Rodrigo, receberemos tudo isso sem desconfiança, já que também não lembraremos mais que as sugestões partiram de um sistema de IA. “Não vai ter mais sentido falar em natural e artificial”, completa.

“Não vai ter uma parte de nossas vidas que não será diretamente afetadas pela IA”, diz Ray. “Como indivíduos provavelmente não vamos perceber as mudanças em tempo real, mas nossa dependência no aprendizado de máquinas vai aumentar em taxas exponenciais”, completa.