Facebook se prepara para a tecnologia blockchain: o que podemos esperar?

Tecnologia

22 de Maio de 2018 | 4 semanas atrás

Quando o Facebook monta um time para um determinado projeto, sabemos que vem algo grande por aí. Desta vez, Zuckerberg e companhia estão reunindo engenheiros para montar uma equipe inteiramente dedicada ao blockchain, a nova menina dos olhos das empresas de tecnologia. O time será liderado por David Marcus, que antes estava à frente do aplicativo Messenger. Estão também na equipe Kevin Weil, VP de produto no Instagram, e James Everingham, VP de engenharia do Instagram. A novidade foi revelada pelo site Recode.

Nós já falamos sobre a tecnologia blockchain e sobre como pode ser a salvação para a indústria de dados. Inovação por trás de criptomoedas como a bitcoin, o blockchain permite a validação de um registro ou de uma transação sem um intermediário. O mais interessante é que não é possível fraudar a inovação, já que seria preciso alterar todos os blocos da tecnologia, o que é matematicamente impossível.

Embora tenha sido criado para as moedas virtuais, o blockchain ainda tem um potencial desconhecido. No entanto, analistas sugerem que, muito em breve, a tecnologia se tornará comum na internet. Até por essa gama de possibilidades de uso, não se sabe, ao certo, como o Facebook pretende utilizar. E, conhecendo o histórico do Facebook, esse mistério pode não ser bom.

Facebook e blockchain: o que vem por aí?

O site Futurism tem algumas previsões otimistas sobre como a rede social pretende usar a inovação. Por exemplo: depois de todo o escândalo envolvendo dados de usuários do Facebook com a Cambridge Analytica, a plataforma pode estar pensando em uma maneira de se redimir. A ideia é que, para evitar uma debandada da rede social em um futuro próximo, o time da rede social vai se dedicar a integrar blockchain no Facebook, de maneira que os dados das pessoas fiquem realmente protegidos.

A ideia do Facebook protegendo nossos dados parece linda, mas tudo não passa de uma previsão pra lá de otimista. Não parece interesse da rede social proteger seus usuários — afinal, não teriam mais o dinheiro que poderia vir da venda de dados. Além disso, o Futurism alerta que, neste caso, as suas informações não estariam disponíveis para a rede social, mas sim para internet inteira, criptografadas com o blockchain. Embora seja matematicamente impossível de quebrá-las, elas continuaram ali mesmo depois que a conta fosse deletada. Vale o risco?

Uma sugestão que tem mais a cara do Facebook é que simplesmente a rede social está se preparando para a internet movida por blockchain. Afinal, a rede social faz de tudo para que as pessoas não usem outros serviços. A ideia é, sim, ter um império — que vai do WhatsApp ao Instagram. “E o que a rede social não consegue comprar, copia dos outros — como foi o stories como o muito similar Snapchat”, afirma o site.

Então, já prevendo o sucesso da tecnologia blockchain, a rede social se prepara para criar algum tipo de plataforma que não fique atrás (e, de preferência, que fique muito à frente) de um competidor. Facebook sendo Facebook.

A última sugestão do que a rede social está planejando seria talvez a mais ousada: uma Facecoin. Uma concorrente de peso para a bitcoin. Contra essa ideia existe o fato das altcoins já terem um mercado estabelecido. No entanto, como especulado pela Wired, o Facebook tem a capacidade de ir além, como recompensando posts de sucesso com um pequeno pedaço da criptomoeda da rede social — tudo para que as pessoas não abandonem a rede social. Apesar de atrativo, parece mais provável que a plataforma utilize essa possível criptomoeda com o seu marketplace, sendo possível fazer transações com a moeda como modo de pagamento.

Seja lá qual for o objetivo da plataforma, uma reorganização tão grande dentro da rede social mostra que a tecnologia tem tudo para ser abrangente e ser boa parte da internet muito em breve.