E quando o data-driven é um perigo?

Tecnologia

10 de julho de 2018 | 1 semana atrás | Tempo de leitura: 3 minutos

Em um breve futuro, quase tudo será data-driven. Nesse contexto, há pouco (ou nenhum) espaço para o achismo — medidas serão tomadas baseadas em dados. A consequência da medida vai gerar mais dados e assim por diante. Esse futuro é promissor, é claro, mas não está imune a falhas, problemas e perigos. Compreender como diferentes áreas vão lidar com o data-driven é interessante para juntar todas as peças do quebra-cabeça dos dados. Este artigo no The Economist mostra como o data-driven pode afetar um dos setores mais importantes da sociedade: a segurança e o policiamento.

Andrew Ferguson, que foi defensor público e hoje é professor na Univerdade de Columbia, escreveu um artigo chamado “The Rise of Big Data Policing“, em que explica como a inovação chega ao setor de segurança pública.

Para a The Economist, Andrew explica que a polícia sempre usou dados, mas agora há a possibilidade de usá-los de maneira mais assertiva, de maneira que policiais ajam de maneira mais proativa. “Novas fontes de dados aliadas à análise preditiva agora permitem que a polícia visualize o crime de maneira diferente, visando bloqueios individuais, indivíduos em risco e gangues de maneiras inovadoras”, diz. “Novas tecnologias de vigilância permitem que a polícia mapeie movimentos físicos, comunicações digitais e associações suspeitas de maneiras que possam revelar padrões previamente ocultos de atividades criminosas em quantidades excessivamente grandes de dados”, completa.

Tudo parece ótimo para garantir a segurança dos cidadãos, mas o debate acaba sendo aquele de sempre: até que ponto é válido analisar dados e mais dados de pessoas em busca da segurança? A palavra em questão é, mais uma vez, ela: a privacidade. “Todas essas informações podem ser bastante úteis para a aplicação da lei, buscando rastrear elementos criminosos na sociedade. A mesma tecnologia também pode ser bastante ameaçadora para as liberdades civis e a privacidade pessoal em comunidades já super-policiadas”, diz Andrew.

Em relação aos riscos do uso dessas plataformas e dados, Andrew deixa claro que “são vários”. “Primeiro, dados podem distorcer a polícia”, diz. “Policiais podem ir para uma área que está marcada como um risco de um crime violento pode fazer uma abordagem rotineira como mais perigosa, o que torna mais provável o uso de força”, diz. Outro problema é o mais óbvio e que citamos acima: a privacidade. “Mesmo com o melhor uso possível, policiais tem acesso a muitas informações pessoais de quem não é suspeito de nenhum crime”, diz. Por último, há um problema que costuma ser um dos principais em qualquer contexto data-driven: a falta de refinamento dos dados, o que pode causar algum viés ou preconceito que pode comprometer toda uma operação policial.

No caso, esses possíveis erros de quem usa o data-driven vão muito além de lançar uma campanha errada de marketing. Abuso policial e até mesmo prisões injustas podem acontecer. “A hora de agir contra a ameaça da polícia big-data é agora”, diz Andrew. “Qualquer cidade deveria ter uma clara política para detalhar o uso de novas tecnologias big-data”, completa. Para o professor, deve existir uma educação a todo cidadão em relação à privacidade, liberdade e desequilíbrio de poder que as tecnologias de vigilância trazem.”Educação, empoderamento e engajamento são as únicas proteções contra um sistema de vigilância data-driven invasivo”, conclui.